Depois de um feriado prolongado, bastou sair de casa para perceber: o estresse estava à flor da pele. Nas ruas, no trânsito e no trabalho, parecia que todo mundo havia acordado de mau humor.
A segunda-feira, aliás, tem um talento especial para testar a paciência das pessoas. O trânsito parece ser sempre o pior da semana. Tenho a impressão de que todos resolvem tirar o carro da garagem ao mesmo tempo. Um trajeto de quinze minutos, entre minha casa e o trabalho, transforma-se facilmente em uma viagem de uma hora. Coloco uma música para tocar e tento aceitar meu destino.
Acordei bem-disposto, mas cheguei ao trabalho cansado. Pudera! Entre buzinas, congestionamentos, poluição e motoristas impacientes, já havia consumido boa parte da minha energia.
No trabalho, o assunto principal era o próximo feriado. Mal havíamos retornado de um, e todos já faziam planos para o seguinte. A segunda-feira parecia interminável.
Outra coisa que me chamou a atenção foi a maneira como as pessoas andavam na defensiva. Parecia que todos estavam se protegendo de alguma ameaça invisível.
— Por favor, você poderia...
Nem consegui terminar.
— Que foi, hein?
Um olhar atravessado, uma resposta grosseira. E eu, que só queria fazer uma pergunta, comecei a pensar se não seria melhor enviar uma mensagem. Quem sabe assim a pessoa responderia com um emoji sorridente.
Na hora do almoço, a comida desceu mal. O cardápio também não ajudava. Tenho a impressão de que ninguém se preocupa muito com a refeição de segunda-feira. Talvez até a cozinheira estivesse estressada. Afinal, ninguém é de ferro.
À tarde, uma chuva trouxe certo alívio ao calor. Por alguns minutos, o barulho das gotas nas janelas parecia anunciar uma trégua. Até que houve uma queda de energia.
O computador desligou.
E lá se foi parte do trabalho que eu ainda não havia salvado.
Respirei fundo. Era segunda-feira. Não deveria esperar muito mais.
No fim da tarde, começou outra batalha: voltar para casa. Chuva, buzinas, carros por todos os lados e um congestionamento que parecia não ter fim. Mais uma hora perdida no trânsito.
Finalmente em casa, pensei que tudo se resolveria com um bom banho, um lanche e alguns minutos de descanso.
Mas havia uma surpresa na caixa de correio.
Contas.
Energia elétrica, água, telefone, internet, condomínio... Uma coleção de cobranças esperando pacientemente pela minha chegada. E ainda havia os avisos no celular, lembrando que algumas faturas estavam próximas do vencimento.
Parabéns! Não queríamos conforto? Pois aí está ele, devidamente parcelado e com data para pagamento.
Sentei-me diante do computador e resolvi conferir os e-mails. Propagandas, ofertas irresistíveis, mensagens automáticas e promessas de felicidade em suaves prestações.
Decidi acompanhar as notícias do dia. Melhor não. Tragédias, violência, conflitos, crises econômicas e discussões intermináveis.
Pensei em assistir à televisão, mas provavelmente encontraria as mesmas notícias, acompanhadas de comentaristas discutindo quem tem razão.
Talvez fosse melhor sair um pouco, conversar com os vizinhos, sentar na calçada, como fazíamos antigamente.
Mas onde estavam os vizinhos?
Dentro de casa, naturalmente. Portões fechados, câmeras de segurança, cercas elétricas e cada um refugiado em seu pequeno mundo. Com tanta violência, quem se arrisca a ficar tranquilamente na rua?
E pensar que o ser humano sempre sonhou com o futuro!
Imaginávamos que a tecnologia nos daria mais tempo, que as máquinas facilitariam nossa vida e que o conforto nos permitiria viver melhor.
De fato, temos celulares inteligentes, aplicativos para tudo, carros cada vez mais modernos e aparelhos capazes de atender aos nossos comandos de voz.
Mas continuamos sem tempo.
Trabalhamos para comprar equipamentos que prometem facilitar nossa rotina e depois precisamos trabalhar ainda mais para pagar por eles.
A riqueza continua concentrada nas mãos de poucos, enquanto muitos fazem contas para chegar ao fim do mês. E seguimos correndo, competindo, produzindo, consumindo e reclamando da falta de tempo.
Parabéns! Não era esse o futuro que tanto desejávamos?
Comodidade, tecnologia, dinheiro, conforto, luxo, vaidade e poder!
Imagino que até o presidente de uma grande empresa, sentado em seu carro confortável, com ar-condicionado e bancos de couro, também enfrente um congestionamento de vez em quando. Talvez aproveite o caminho para participar de uma reunião pelo celular, responder mensagens ou se preocupar com os resultados financeiros.
No fundo, a diferença é que alguns enfrentam o estresse em carros luxuosos, enquanto outros o enfrentam em ônibus lotados.
Chegou a hora de dormir.
Finalmente, silêncio.
Ou quase.
Um sujeito que mora aqui no bairro resolveu descer a rua em alta velocidade, com o som do carro nas alturas. O grave fazia as janelas tremerem. Parecia que ele havia assumido a missão de anunciar sua chegada a todos os moradores.
Que felicidade!
Olhei para o meu cachorro, deitado tranquilamente no canto da sala, e disse:
— Vamos comemorar! Estamos estressados!
Ele abriu um olho, olhou para mim por alguns segundos e voltou a dormir.
O sono dos justos.
Naquele momento, tive uma certeza: de todos os moradores daquela casa, talvez ele fosse o único que realmente soubesse viver.
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